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Camila

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Camila
Num casebre de madeira, no meio das dunas, em uma pequena praia do Litoral Norte do RS, vivia o casal Zé e Angelina.
Zé era auxiliar de pedreiro e praticamente só tinha trabalho, a partir de dezembro, quando os veranistas apareciam na praia para providenciar obras ou reparos em suas casas. Aí sim, Zé ganhava melhor de dezembro a fevereiro. Depois... Depois, a vida na praia é dura. Difícil mesmo. Durante todo o resto do ano, Zé apenas conseguia biscates.
Angelina era faxineira e, da mesma forma que Zé, somente nos meses de veraneio conseguia se empregar em casas de família e ganhar algum dinheiro. Durante os outros meses do ano, viviam em situação de extrema pobreza.
Por várias vezes, a casinha do casal, quase caía, devido ao mau tempo. O telhado era castigado por chuvas de granizo...
E, foi nesse ambiente, onde sempre imperou a miséria, que nasceu Camila, uma linda menina. Camila nasceu numa madrugada fria de inverno, com o Nordestão soprando forte... Nasceu no corredor do posto de saúde. As enfermeiras fizeram o parto, pois não havia médico no local.
Apesar de todas as dificuldades, Zé e Angelina criaram Camila com todo o amor e zelo. A mãe fazia suas roupas, para mantê-la sempre arrumada. Camila era o mimo de seus pais e chamava atenção por sua beleza. O pai diariamente chegava em casa à procura de Camila, quando ambos se envolviam em um abraço interminável. Zé e Angelina matricularam a menina em uma escola da rede pública, onde a mesma cursou até a sétima série. Os pais se empenharam, para que Camila estudasse, sonhando com um
futuro melhor para a filha.
Entretanto, por volta dos 12, 13 anos, Camila passou a apresentar um comportamento completamente diferente do habitual. Chegava em casa estranha, brigava com todo mundo, vivia na rua, tirava notas baixas e escondia dos pais as frequentes solicitações, por parte da direção da escola, para que os mesmos comparecessem no Setor de Orientação Psicológica da instituição. Mostrava-se triste e revoltada em relação à vida que levava. Os pais tentavam conversar com ela, porém Camila nem tomava conhecimento da existência dos dois. As discussões

passaram a se tornar comuns entre os três. Zé e Angelina não sabiam como lidar com essa nova situação. Pensaram ser "coisa de adolescente" e que logo passaria.
Um dia, Camila contou uma estranha história aos pais. Um senhor e uma senhora aguardavam no portão da escola, na hora da saída, e perguntaram a Camila se ela não gostaria de trabalhar para eles, que estavam procurando por uma jovem babá para cuidar de seu filho bebê, à noite, porque os mesmos tinham um bar , em uma praia vizinha e, durante a madrugada, o movimento se intensificava. De imediato, Zé e Angelina disseram que, de maneira alguma, Camila poderia trabalhar com estranhos, no período noturno. Lembraram a filha, que ela estudava e tinha deveres a fazer, precisava ajudar nas tarefas domésticas e
dormir à noite. Concluíram, a princípio, ser um absurdo tal serviço para uma menina estudante, de apenas 13 anos. Camila enfureceu, diante da negativa dos pais, que estranharam o seu comportamento, pois que a mesma sempre fora uma adolescente calma e obediente.
Alguns dias depois, Camila retornou da escola, acompanhada de um homem e de uma mulher, em um carro de luxo, os quais
conseguiram convencer os pais de Camila a liberar a menina para o emprego de babá. Primeiramente, Zé e Angelina não queriam concordar de modo algum, no entanto as pessoas insistiram bastante, pareciam ser muito generosas e foi proposto um bom salário à menina, que continuaria seus estudos no período vespertino, passaria a noite cuidando o bebê, podendo inclusive descansar, uma vez que a criança dormia toda a noite. Pela manhã, Camila pegaria o primeiro ônibus, retornando à sua casa na praia vizinha. Zé e Angelina acabaram cedendo, porque não tinham o que comer em casa. O salário proposto pela dupla de visitantes era a esperança de dias melhores e os pais de Camila acreditaram que essas pessoas pudessem encaminhar a menina para uma vida mais digna, tirando a mesma daquele ambiente de miséria, do qual tanto se queixava, causando-lhe revolta.
E Camila iniciou a nova rotina.
No primeiro dia de trabalho, quando Camila chegou de
manhãzinha, Zé comentou com Angelina: "muié, mas a Camila precisa botar tanto reboco de pintura na cara e usá tanto prefume pra cuidá da criança?" Angelina respondeu: "craro homi! Tu não viu as ropa deles, o

carro! Ela tem que andá bem arrumada prá trabaiá lá!"
Os dias foram passando... Angelina começou a observar que Camila chegava muito cansada, parecia "fora do ar" Se atirava na cama, no mais profundo sono. Nada comentava sobre a criança, o trabalho... E não conseguia acordar, mesmo no período da tarde, para ir à escola. No final do mês, o dinheiro que Camila apresentou foi de valor muito abaixo do prometido, ela justificou, dizendo que os patrões pagariam depois, porém mais do que o combinado. Os pais de Camila se conformaram, mas ela continuava cada vez mais estranha e agressiva.
Um dia, Camila disse aos pais que largaria os estudos e que apenas trabalharia. Seus pais não aceitaram. Diante da negativa de Zé e Angelina, Camila enfureceu, surpreendendo-os, pois sempre fora dócil e cordata. Fora de si, Camila começou a agredir fisicamente Angelina, quando Zé foi obrigado a agarrá-la à
força, para separá-la da mãe, e acabou esbofeteando a filha. Naquela noite, Camila fugiu de casa. Seus pais procuraram a polícia, mas, na sua ignorância e boa fé, os mesmos nem tinham o endereço do trabalho da filha, e o nome das pessoas que haviam oferecido o emprego de nada adiantou, tudo era falso. Se deram conta de que haviam sido enganados e perdido a sua menina. Já convencidos pela polícia e amigos de que sua filha havia sido mais uma vítima do tráfico de drogas e prostituição, Zé e Angelina se desesperaram e, apesar dos esforços da polícia, Camila não foi encontrada.
O casal passou a viver na mais profunda tristeza pela falta da filha, embora ainda alimentassem a esperança de que um dia recuperariam Camila.
E o tempo passou...
Em certa ocasião, anos mais tarde, Zé foi procurar um trabalho
em outra praia distante, já que não conseguia emprego no lugar onde vivia. Pegou carona com um amigo e desceu do carro, procurando o local indicado na autoestrada. Foi quando avistou ao longe, várias moças que abordavam clientes em carros, aproximando-se, reconheceu no meio delas a "sua menina". Jamais ele esqueceria o rosto da filha, mesmo estando massacrada pelas drogas, violência, prostituição e talvez doente. Permaneceu observando-a por um longo tempo e constatou que aquela moça aparentando muito mais idade, apesar de ainda ser nova, havia deixado de ser a sua filha querida e passou a ser "a moça da estrada". Uma, entre

muitas que "sobrevivem" nesse meio e passam na autoestrada, pedindo carona, procurando um programa e se oferecendo a todos que aparecem. De repente, Camila também viu o pai, que já havia se aproximado mais, e ficaram os dois frente a frente, com os olhos marejados... Seus olhares permaneceram fixos um no outro por instantes, para depois envolverem-se no mesmo abraço dos tempos idos da infância de Camila.
O pai tentou tirá-la daquele lugar, porém ela não aceitou. Tremendo de emoção, Zé implorava: "Camila, minha fia, volta pra nossa casinha. O pai e a mãe perdoa... Nois vai cuidá di ti..." Camila, aos prantos, respondeu: "pai eu morro de saudade do cês. Eu apanho, eu sô humilhada...Já quasi murri por causa da pedra, mas passá fomi é pior." E fugiu do pai...
Camila, agora, era apenas mais uma vítima da miséria, da falta
de oportunidade, da falta de conhecimento e educação... E de tantas outras faltas... Ali, naquele momento, Zé percebeu que os seus sonhos e os de Angelina haviam sido levados...E, em lágrimas, olhou para o chão e sentiu que a vida dele e da mulher tornara- se mais escura do que o próprio asfalto que sua filha percorria diariamente.
Maria Luiza Porto Alegre Tomatis

Criado em: 21/12/2018 09:44:42.

Sobre o autor

Licenciada em Letras e Literatura da Língua Espanhola.
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